Para satisfação de ambições pessoais, deveria ter-me amoldado ao estilo da época, tornando-me manhoso com os malabaristas, fingindo de inocente com os ingénuos e desculpando os desmandos do presente com a evocação dos excessos, aliás bem menores, do passado. Em vez disso, preferi combater os destemperos, as violências e as incapacidades financeiras e económicas do Sidonismo pelo que elas encerravam, em si próprias, de pecaminoso e aviltante à face do direito, da moral e das autênticas necessidades da nossa grei. Ao que se viu, causei um pouco de espanto a todos os politiquetes superficiais com o ardor da minha voz sibilante de beirão de cepa, com a minha tez morena e com a austera independência dos juízos por mim formulados com implacável lógica. Donde vinha e o que queria este moço sacudido? - perguntava-se, segundo mais tarde vieram a afirmá-lo historiadores dessa época. A resposta parecia difícil, quando, na realidade, se revestia de uma simplicidade dionisíaca: vinha da Beira baixa, reduto de virtudes ancestrais, e não a renegava nem no dialetismo da pronúncia nem na rudeza de certo modo eloquente das minhas convicções; e queria ver a Pátria encaminhada em direcção a um futuro mais feliz por métodos mais acertados, com mais vincantes preocupações pelo destino de um povo condenado à miséria, à ignorância, à doença e ao desconsolo. Eis pois de onde vinha e o que queria. Mas acontece - aconteceu sempre desde que o mundo é mundo - que as criaturas vis e imorais pretendem, obstinadamente, medir os outros pela bitola da sua própria imoralidade e da sua intrínseca vileza. por isso, claro está, não me acreditaram."
nota - extracto das Memórias de Cunha Leal, um político do século XX que ninguèm conseguiu calar. Estas Memórias foram escritas em 1966, no Alcaide, sua terra natal.
Obs. Parece-me uma reflexão muito actual ainda.
sexta-feira, 29 de julho de 2011
sábado, 23 de julho de 2011
Não tenho que pedir desculpa
Não tenho que pedir desculpa como não espero agradecimento pela ousadia desenvolta da minha luta em defesa do património e da cultura local. Comecei em 1971 e ainda não parei nem desisti. Até 2005 tive sempre o apoio e o agradecimento dos autarcas. NAS CAMPANHAS DE CALÚNIAS E OFENSAS, nunca verguei os ombros nem baixei a cabeça. Também hoje o não farei, ainda quando a sobrecarga dos anos me quer predispor à indiferença.
sexta-feira, 22 de julho de 2011
Sou sempre leal, mas não sirvo ninguém
" Ninguém me poderá considerar seu sequaz." (autor - Cunha Leal)
Até no nome era leal. Mas lealdade não é sinónimo de fidelidade. Ser leal é ser verdadeiro, não ocultar intenções, quando são discordantes daquilo que querem de nós. É sermos fiéis a nós próprios, apenas.
Ser fiel a alguém, implica estarmos de joelhos sempre, diante ou atrás dessa pessoa, pense ou não como nós, faça ou não o que, para nós está certo. É seguir incondicionalmente a pessoa a quem se é fiel. Isso é ser escravo! Isso é ser infiel a si próprio, para ser servo/escravo de alguém.
E digo mais: para mim isso é ser débil mental, é não ter dignidade, é ultrajar-se a si próprio.
E por eu pensar assim é que procedo assim e digo, brincando com essas situações: em mim ninguém manda! nem eu!!
Até no nome era leal. Mas lealdade não é sinónimo de fidelidade. Ser leal é ser verdadeiro, não ocultar intenções, quando são discordantes daquilo que querem de nós. É sermos fiéis a nós próprios, apenas.
Ser fiel a alguém, implica estarmos de joelhos sempre, diante ou atrás dessa pessoa, pense ou não como nós, faça ou não o que, para nós está certo. É seguir incondicionalmente a pessoa a quem se é fiel. Isso é ser escravo! Isso é ser infiel a si próprio, para ser servo/escravo de alguém.
E digo mais: para mim isso é ser débil mental, é não ter dignidade, é ultrajar-se a si próprio.
E por eu pensar assim é que procedo assim e digo, brincando com essas situações: em mim ninguém manda! nem eu!!
quinta-feira, 21 de julho de 2011
Foi ele que se enganou...
Na continuação do texto de ontem, destaco a ideia de que partiu Cunha Leal - ele é que se equivocou, ninguém lhe prometeu ser honrado e sério. Ele é que partiu desse princípio. E enganou-se.
Isto pode acontecer a qualquer pessoa bem intencionada. O que fez ele? O que devem fazer as pessoas sérias, honradas e dotadas de raciocínio - retirou-se, mas não desistiu, porque o seu compromisso era com o País, com a República e consigo próprio. Ninguém se atrevesse a pedir-lhe para trair os seus compromissos!
Isto pode acontecer a qualquer pessoa bem intencionada. O que fez ele? O que devem fazer as pessoas sérias, honradas e dotadas de raciocínio - retirou-se, mas não desistiu, porque o seu compromisso era com o País, com a República e consigo próprio. Ninguém se atrevesse a pedir-lhe para trair os seus compromissos!
quarta-feira, 20 de julho de 2011
Um político corajoso
Cunha Leal foi um político que se enganou algumas vezes nas escolhas e que teve a coragem de emendar as escolhas erradas. Quando tinha provas que não eram quem ele pensava, arrepiava caminho,o que revela inteligência também, além de coragem.
E desmascarava nos locais indicados, os que hipocritamente se tinham feito passar pelo que não eram.
Ficou famoso o seu discurso parlamentar, quando retirou o apoio aos sidonistas que tinham objectivos ocultos para destruir a República: "Está sentada naquelas cadeiras uma série de criaturas respeitáveis que me dizem ser o Governo da República, e eu tenho medo que elas pratiquem um abuso inconsciente de confiança, dizendo que de facto são Governo. O primeiro ministério de V. Ex.ª, Sr. Tamagnini Barbosa, não foi um governo, mas um espantalho que esteve no Terreiro do Paço para nada fazer."
Todas as gerações precisavam de ter um Cunha Leal. Pela sua capacidade de emendar o erro, está perdoado.
E desmascarava nos locais indicados, os que hipocritamente se tinham feito passar pelo que não eram.
Ficou famoso o seu discurso parlamentar, quando retirou o apoio aos sidonistas que tinham objectivos ocultos para destruir a República: "Está sentada naquelas cadeiras uma série de criaturas respeitáveis que me dizem ser o Governo da República, e eu tenho medo que elas pratiquem um abuso inconsciente de confiança, dizendo que de facto são Governo. O primeiro ministério de V. Ex.ª, Sr. Tamagnini Barbosa, não foi um governo, mas um espantalho que esteve no Terreiro do Paço para nada fazer."
Todas as gerações precisavam de ter um Cunha Leal. Pela sua capacidade de emendar o erro, está perdoado.
terça-feira, 19 de julho de 2011
A razão deste blog
Até pode acontecer que ninguém leia o que aqui escrevo, mas não é isso que me faz parar.
Combaterei sempre a mentira, a desonestidade, a hipocrisia, o oportunismo, a violência, a bandalheira. Sempre houve quem tentasse triunfar sobre a justiça e a verdade e, durante algum tempo tiveram sucesso. Mas um dia perderam e quando perderam não se levantaram mais. E ainda bem, porque a humanidade precisa de curar as suas feridas para seguir o caminho. E quanto mais longe vai o mal, mais estrondosa é a queda. A história está cheia de triunfos do bem e nem um só, definitivo, do mal. O triunfo do mal é sempre provisório. O resultado definitivo é sempre a queda no abismo. Todos os tiranos, a despeito dos seus triunfos temporários, tiveram um fim trágico. Ser déspota não compensa, ser mentiroso não compensa, ser hipócrita não compensa, ser preguiçoso não compensa, ser desonesto não compensa, ser injusto não compensa. Pensem nisto.
Combaterei sempre a mentira, a desonestidade, a hipocrisia, o oportunismo, a violência, a bandalheira. Sempre houve quem tentasse triunfar sobre a justiça e a verdade e, durante algum tempo tiveram sucesso. Mas um dia perderam e quando perderam não se levantaram mais. E ainda bem, porque a humanidade precisa de curar as suas feridas para seguir o caminho. E quanto mais longe vai o mal, mais estrondosa é a queda. A história está cheia de triunfos do bem e nem um só, definitivo, do mal. O triunfo do mal é sempre provisório. O resultado definitivo é sempre a queda no abismo. Todos os tiranos, a despeito dos seus triunfos temporários, tiveram um fim trágico. Ser déspota não compensa, ser mentiroso não compensa, ser hipócrita não compensa, ser preguiçoso não compensa, ser desonesto não compensa, ser injusto não compensa. Pensem nisto.
Valores fundamentais
O valor fundamental para mim, é a integridade de carácter, que por sua vez é formada por um conjunto de valores: honra, ética, honestidade, bondade, sentido de justiça, frugalidade, simplicidade, humildade, dignidade, verdade. Claro que há muitos outros valores, mas são estes os que mais cultivo. Estes são os que me deram os meus progenitores. Há ainda os valores adquiridos: o conhecimento, a competência, o profissionalismo. A aquisição de conhecimentos foi sempre a sedução da minha vida e a ela dediquei todas as minhas horas livres das obrigações profissionais e familiares e para com a comunidade. Dei sempre prioridade á minha profissão. Considerava que foi um contrato que fiz com a sociedade, que me pagava para que eu lhe prestasse aquele serviço. Por isso, quando entrava na sala de aula, tudo o resto ficava cá fora, até a família. Erros todos cometemos, mas pus todo o cuidado em não ser injusta.
É isso que tenho mais dificuldade em perdoar - as injustiças. É que a justiça é um direito de quem é julgado e um dever de quem julga.
É isso que tenho mais dificuldade em perdoar - as injustiças. É que a justiça é um direito de quem é julgado e um dever de quem julga.
quinta-feira, 14 de julho de 2011
Premiar o erro
Só acontece em Odivelas. Tomam-nos por "broncos". Só pode ser isso. Mas quem premeia o erro é que revela ignorância.
Também se dão prémios sem qualquer critério, ou então com um único critério - promoverem-se, aproveitando a boleia da cobertura feita pela comunicação social, que sempre tem a hipótese de imagens televisivas. Há quem adore. A rainha dessa área todos conhecem - a Lili Caneças. Essa não esconde o seu fraquinho, honra lhe seja feita. Não a condeno por isso, sempre foi alvo das revistas cor de rosa, da moda e da vida do jet-set. Cada um é para o que nasce.
Mas também há quem disfarce e queira o mesmo. Ficou em evidência o comportamento do ex-primeiro ministro com a célebre bronca e a narcisista pergunta - "fico bem assim...ou assim...?!"
O povo respondeu-lhe - "de forma nenhuma!!"
Também se dão prémios sem qualquer critério, ou então com um único critério - promoverem-se, aproveitando a boleia da cobertura feita pela comunicação social, que sempre tem a hipótese de imagens televisivas. Há quem adore. A rainha dessa área todos conhecem - a Lili Caneças. Essa não esconde o seu fraquinho, honra lhe seja feita. Não a condeno por isso, sempre foi alvo das revistas cor de rosa, da moda e da vida do jet-set. Cada um é para o que nasce.
Mas também há quem disfarce e queira o mesmo. Ficou em evidência o comportamento do ex-primeiro ministro com a célebre bronca e a narcisista pergunta - "fico bem assim...ou assim...?!"
O povo respondeu-lhe - "de forma nenhuma!!"
quarta-feira, 13 de julho de 2011
Valorizar o património e os centros históricos
Nos países cultos e civilizados, nos centros históricos não se constroem edifícios novos. Restauram e consolidam as construções antigas. Em Portugal também se está a adoptar esse modelo em muitas povoações. Há mesmo modelos, como é o caso da aldeia de Sortelha. Aqui bem perto, em Mafra, nada se admite "fora de tom", nas imediações do convento/palácio. Nem pensar! Na Guarda está perfeito o centro histórico. O mesmo se diz de Braga, Guimarães e um elevado número de povoações. Nalguns casos, as Câmaras, compram o que existe próximo dos monumentos para demolirem e dar espaço aos monumentos. Esses espaços são animados com recreações históricas, factores de identidade da comunidade local.
Em Odivelas constrói-se dentro das zonas de protecção. Acaba-se com os espaços que ainda há, sem se procurar o seu interesse histórico. E têm a ousadia de afirmar que os projectos são excelentes! Admito que sim. Podem até candidatá-los ao prémio Valmor, mas construam-nos noutro local. O disparate que fizeram na rua da Fonte, é obra de bárbaros!
Aquele local tem uma riquíssima história. Por ali vinha o rei D. João V, visitar a Madre Paula, porque o Papa o proibiu de entrar no mosteiro. O pátio do Ajax era muito maior e ali estacionavam os coches reais.
Fazer a recriação destes acontecimentos, só com espaço, que já não há.
E clamam que está tudo legal: mas nem tudo o que é legal é legítimo, e este é um caso desses.
Uns ficam na história por boas obras, outros pelos erros que cometeram. Há quem tenha mau gosto!
Em Odivelas constrói-se dentro das zonas de protecção. Acaba-se com os espaços que ainda há, sem se procurar o seu interesse histórico. E têm a ousadia de afirmar que os projectos são excelentes! Admito que sim. Podem até candidatá-los ao prémio Valmor, mas construam-nos noutro local. O disparate que fizeram na rua da Fonte, é obra de bárbaros!
Aquele local tem uma riquíssima história. Por ali vinha o rei D. João V, visitar a Madre Paula, porque o Papa o proibiu de entrar no mosteiro. O pátio do Ajax era muito maior e ali estacionavam os coches reais.
Fazer a recriação destes acontecimentos, só com espaço, que já não há.
E clamam que está tudo legal: mas nem tudo o que é legal é legítimo, e este é um caso desses.
Uns ficam na história por boas obras, outros pelos erros que cometeram. Há quem tenha mau gosto!
O direito à indignação
Considero os cargos políticos lugares de desempenho de serviço público. Há, contudo, quem os assuma como exercício de poder. Não tenho sequer dúvidas que estão enganados. Aconselho-os a reflectirem melhor. Só pensam assim porque têm ânsia de liderança, mas não são líderes. Um líder não precisa de usar o poder. O exemplo de bom líder, foi Gandi. Exemplos de líderes foram os mestres das grandes religiões. Observem como lideravam. Nunca invocavam o poder. Nunca usaram do poder para "calar" a livre expressão. A represália sobre quem exprime opiniões contrárias ou critica o desempenho de alguém que se julga poderoso só demonstra um espírito mesquinho e tirano. Sinto a maior repulsa e desprezo profundamente seres tão mal formados. O poder político não existe, é uma imagem construída a partir de um equívoco. E quando se esclarecem os equívocos, essas figuras diluem-se com tudo o que não tem consistência.
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